Talvez o título desta nova postagem gere algumas dúvidas, mas logo vocês irão entender o absurdo da situação.
Como já comentei outro dia fui mesário de 1992 até 2008, e na minha primeira vez (a gente nuca esquece) ainda estávamos na era do voto em papel. Era uma época de trevas, nós mesários, tínhamos que chegar cedo (7h da manhã) retirar os documentos, conferir tudo, assinar voto por voto para comprovar que estava sem nenhuma marcação e ter tudo pronto até às 8h, realmente corríamos contra o tempo, mas no final a votação tinha início (opa, que estranho, mas é isso mesmo...hahaha).
Bom, na eleição seguinte as urnas eletrônicas foram colocadas a nossa disposição e adivinhem... o horário de entrada continuou o mesmo, mas vocês podem se perguntar: "qual o problema?", "não era de se esperar que ainda haveria conferências de materiais?". Claro que sim, mas vejam só: os mesários são obrigados a entrar às 7h, em alguns locais a urna já está montada ou temos que retirar na secretaria da escola e conectar os fios nós mesmos, em todo caso tomemos por base a montagem pelos mesários.
Linha de tempo:
07h00 - Retirar a urna na secretaria
07h05 - Montar o equipamento
07h07 - Emitir a Zerésima
07h10 - Urna pronta, mas travada
08h00 - Início da votação
Para deixar claro: a Zerésima é um boletim que é impresso pela urna (automáticamente) assim que ela é ligada, e demonstra que naquela área todos os candidatos listados estão com zero votos, uma garantia que não há manipulação, contando que nesta eleição eram 6 tipos de votos diferentes, foi a que mais demorou para imprimir (3 minutos). E no resto do tempo os mesários ficam olhando a parede ou o teto, para aguardar a liberação da urna que é feita apenas às 8h.
O que ocorre é que mudaram o sistema de votação de manual para eletrônico, mas não alteraram o horário (imposto) do mesário. É como a velha história do quartel que mandou pintar um banco e colocou, a cada 12 horas, um soldado de vigília. A tinta secou, mas não retiraram a ordem e o banco ficou vigiado durante anos sem explicação ou questionamento.
Por isso vamos exigir um curso de origami como parte do treinamento (que será uma outra história de como as instruções são precisas) dos mesários.
E agora começo o nosso horário eleitoral, cuidado com as promessas e novas posições políticas.
Abraços,
Clóvis Furlanetto
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